Mês: março 2021

Um país bárbaro governado pelos mais brutais

Carnaval em Marselha (França); pancadões em São Paulo; bonde da covid na Central do Brasil e no metrô do Rio. Como se explica?

Mais que normal, é natural. Admirável seria se as pessoas respeitassem a ciência e quem preza a vida. As sociedades atuais usam uma camada de verniz para encobrir a sua verdadeira natureza. Nos países atrasados e em processo de decadência, como o Brasil, os resultados são mais dramáticos, porque o Estado é cúmplice do desatino. As mortes por falta de oxigênio em Manaus, porém, foram rapidamente absorvidas: o presidente genocida não foi responsabilizado e o general incompetente sai ileso.

Somos um país de ignorantes, dominado por uma quadrilha de milicianos guiados pela ideia oportunista de patriotismo e religiosidade. Nos últimos cem anos tivemos lampejos de progresso, rapidamente contidos pelas elites sociais mais perversas do planeta. O egocentrismo e o obscurantismo, mais que a educação e a economia, produziram uma classe média idiotizada. O cinismo oriundo do patriotismo e a hipocrisia própria da religião aliaram-se à mesquinharia de uma pequena burguesia que agarra as migalhas que lhes são concedidas, sem a mínima solidariedade humana. Alie-se a esse quadro a herança escravocrata e temos o tempero da dominação: o racismo, a homofobia, a misoginia, que na prática se expressam no assassinato dos “diferentes” que incomodam os preconceitos; é necessário eliminá-los para não “contaminar” a mediocridade que perpetua o sistema.

O socialismo já não é sequer a esperança. O velho conceito de “socialismo ou barbárie” não tem mais sentido no Brasil. Somos bárbaros e a barbárie está sendo administrada pelos mais rudes. Não há solução à vista: tirar Bolsonaro, eleger outro qualquer, mesmo que seja o oposto disso tudo, é inócuo: a civilização brasileira perdeu o verniz dissimulador aos olhos do mundo e dos brasileiros mais lúcidos, rejeita e rejeitará qualquer política que mude hábitos e costumes determinados pela junção da ignorância com o egoísmo. Quando muito, aceitará uma nova camada de tinta por cima da violenta sociedade que criamos.

Só há um caminho: educação. Porém, o bolsonarismo, que é boçal e primitivo, ou talvez por isso mesmo, percebeu que é preciso corromper o ensino e promover a ideologização das escolas – fazendo o que acusa os “comunistas” de terem feito. O processo de decadência educacional está sendo“aperfeiçoado” por um método eficaz de contagiar a grade curricular com o negacionismo. Metodicamente o conhecimento científico e o saber são abalados pelas crenças reacionárias, que se afirmam em nome da moral e dos bons costumes das “pessoas de bem”.

Essa é uma forma de dominação que, sutilmente, estimula na prática a “liberalidade” comportamental como válvula de escape para que a pobreza não exploda. Nas artes ditas populares, no conjunto de entretenimento jogado às massas, do Big Brother às redes sociais, do sertanejo universitário ao funk, tudo forma uma avalanche ideológica que aliena a população. Aglomerações e pancadões atuam paradoxalmente como força auxiliar do bolsonarismo que promove a “moralidade” pelas igrejas pentecostais. Por outro lado, consuma-se a identificação ideológica que confunde e deturpa as conquistas fundamentais, como as liberdades de expressão e a de “ir e vir” e, certamente, demoniza os direitos humanos autênticos.

Nesse quadro as denúncias contra a política genocida do governo tornam-se crime para o Estado aparelhado pela idiotia; a atual “liberdade de expressão” justifica o “direito” de difamar e mentir, com um presidente mentiroso que, pego em flagrante, debocha ou diz que não disse o disse. Não há indignação popular contra isso.

Devemos reconsiderar o “um terço” que, segundo as pesquisas, apoia Bolsonaro. Na verdade, pelo comportamento do povo, dois terços dos brasileiros praticam o que o capitão indica: não usam máscaras, fazem aglomerações, consomem o pior da cultura brega, rejeitam a democracia e acreditam em salvação mágica para vencer a epidemia. No imaginário popular ninguém (isto é, aquele que age irresponsavelmente) morre de covid-19. A gripezinha mata os outros. É isso que está internalizado até em populações que morrem mais do que sua capacidade de sepultar. Como em Manaus, onde o povo saiu em passeata para ter o “direito de ir e vir” (isto é, aglomerar-se) e não usar máscara. O que deixa claro: as ideias de Bolsonaro não só ganharam as massas, mas são fortes porque foram assimiladas por ele das massas.

Outro ponto a considerar: a imprensa de qualidade não representa nem reflete o povo. É o megafone da pequena elite intelectualizada desligada do resto da nação ou porta-voz de grupos corporativos. Tradução final: estamos destinados ao fracasso. Engana-se quem pensa que Bolsonaro é o fundo do poço: o país todo está dominado, do Congresso às câmaras municipais cumprimos nossa tradição – por mais que o Brasil se degenere, prevalece a política da conciliação: o sistema absorve ou expele picaretas, de Collor a Bolsonaro, para que tudo permaneça como está.

No Brasil os poderosos se aproveitam e os historiadores são engolidos pela história. Os meios de comunicação se incumbem do “veja bem”… Precisamos de uma nova história e de uma nova sociologia para explicar nosso fracasso. As ciências sociais avançaram nas questões de gênero e racismo, mas não penetraram no conteúdo das suas origens. Por isso, Bolsonaro é tratado como um “fenômeno” desligado das nossas raízes de violência.

Da má consciência burguesa ao calhambeque brasileiro

O mundo como ele é – Já foi observado desde o século XVIII, por Adam Smith, e depois no começo do século seguinte, por David Ricardo, que a “ordem natural das coisas” é o mundo como está: as classes dominantes devem administrá-lo. Isto é, os de cima, pisam nos debaixo. Claro, com palavras dulcificantes, o que é mais cruel. Ricardo, por exemplo, deu argumentos aos religiosos que conclamavam os pobres a se conformarem com a vida terrena, pois o sofrimento lhes garantia o céu.

Mas, havia o problema da consciência burguesa, logo resolvido: se o mundo criado por Deus é assim, o que os ricos poderiam fazer? Além disso, os futuros economistas descobriram que os pobres eram culpados pela pobreza. Os ricos são educados e seguem as regras. Já os miseráveis são ignorantes, sujos e não têm noção das obrigações sociais. Ainda bem que eles temem a autoridade.

Até que veio a Comuna de Paris, em 1848, e logo em seguida o Manifesto Comunista. Mas a Comuna fracassou, pois tinha mais liberais ávidos por “liberdade” do que representantes da massa espezinhada. O Manifesto precisou de algumas décadas até provocar as várias internacionais de trabalhadores. Nesse tempo o capitalismo inventou máquinas, leis, fez e depôs reis, criou repúblicas e descobriu seu grande irmão (ou filho dileto): o Mercado. Houve alguma turbulência, como a revolução russa, as duas guerras mundiais, as revoltas africanas e árabes que afetaram o colonialismo etc. Nada que abalasse as raízes do grande capital. A revolução cubana fez cócegas no Tio Sam, mas lhe foi útil: serviu de pretexto para apoiar ditaduras submissas. Hoje, os cubanos não assustam sequer o Bolsonaro.

Saúde dominada, bote final da educação – Fazer jornalismo é para quem não tem ou tem muita imaginação. Tudo já foi dito sobre Bolsonaro: é um arremedo de ditador, de comportamento genocida e a paranoia da eterna conspiração – porém, ainda na fase anal, se é correto lembrarmo-nos de Freud para “analisar” tal besta.

Portanto, os menos imaginativos ou sem talento para descobrir as frinchas da políticanalha brasileira, conformam-se em fazer o que se faz nesse texto: um chororô repetitivo. Prossigamos. A nomeação do novo ministro da Saúde confirma a torpeza bolsonarista: ele não ser militar agrava a situação – vai obedecer sem o freio dos generais. O novo Pazuello junta-se a um bando de suspeitos e réus que assumiram cargos chaves na administração, ligados a empresas e grupos financeiros, além de conhecidos disseminadores de notícias falsas e sabotagem contra o isolamento social. Muitos pertencem à turma da cloroquina. Todos competentes e necessários para passar a boiada.

Mas o processo de bestificação da máquina governamental não cessa. Agora prepara-se o bote final na Educação. O ministro Milton Ribeiro indicou para a coordenação de materiais didáticos Sandra Lima Vasconcelos Ramos, que se tornou conhecida por atacar a “ideologia de gênero” e propor a “escola sem partido” e trabalha descaradamente para impor o criacionismo na grade curricular. Ela deve reforçar a batalha pela implantação da “educação cristã”, com sua colega Inez Borges, auxiliar principal do ministro e uma das líderes da “Visão Nacional para a Consciência Cristã”, que combate o ensino laico. Todo o Ministério age harmoniosamente para implantar escolas cívico-militares ou seu programa. Um dos ideólogos dessa gente é Olavo de Carvalho.

Dependemos dos homens de toga – Com a mortandade provocada pela pandemia e o novo ministro desavergonhadamente confessando que a política de saúde é do presidente e que ele, médico, seguirá o trabalho do general, o que se esperar se não mais mortes e o colapso geral dos hospitais?

Não podemos contar com uma reação do governo, é evidente. Nem do Congresso, dominado pelo centrão, que resmunga, mas se submete e sabemos a que preço. A sociedade civil está paralisada (aliás, o que é sociedade civil?). Deus, até agora não deu as caras, enquanto o Diabo faz a festa. Então, a quem apelar?

Só sobrou o STF (Supremo Tribunal Federal) e o MP (Ministério Público), já que a PF (Polícia Federal) está mais preocupada em cumprir a Lei de Segurança Nacional contra quem protesta e chama Bolsonaro de genocida do que pegar os sacanas das rachadinhas ou quem se aproveita da pandemia para faturar. Pois, sobrou o STF.

O que o STF pode fazer? E qual a sua disposição e real poder para frear a malandragem do centrão e a irresponsabilidade criminosa do presidente? Aqueles doutores de toga que falam e escrevem enviesado têm jogo de cintura suficiente para transformar Satanás em Madre Teresa de Calcutá. Gilmar Mendes, por exemplo, com seu conhecimento técnico e jargão característico, se quiser pode “decretar” um cala-boca em Bolsonaro e um chega-pra-lá no Congresso, impedindo que generais e médicos obedientes a um doido continuem a contribuir para a mortandade. E, quem sabe, possibilitar a criação de uma comissão de cientistas e políticos menos dóceis para enfrentar a crise que, com Bolsonaro, não terá fim.

O país do futuro caducou – No entanto, nos sobra desesperança. O Brasil, como um calhambeque avariado, só pega no tranco. Se o motor girar, calma, faltam pneus – e tudo permanece normal: como Adam Smith e Ricardo “doutrinaram” para a ética capitalista nascente no século XVIII.

Do verniz cultural à perversidade social

Por que as pessoas não acreditam no que dizem acreditar? Por que não agem de acordo com as convicções que afirmam ter? O autoengano é a porta da felicidade?

O puro e o impuro na mente – Os índios entravam na água para se refrescar, não pensavam em limpeza. As índias cozinhavam para comer, não tinham refinamento gastronômico. A noção de higiene, do limpo e do sujo, são novidades inclusive na nossa cultura branca – que julgamos “superior” às demais ou, quando nos ataca o complexo de vira-lata, inferior a tudo o que existe no estrangeiro.

Antes do conceito do limpo e do sujo, internalizou-se em nós a noção do puro e do impuro. Que nada tinha ou tem a ver com o asseio ou a sanidade: é um “mandamento” religioso, que determina o que é pecado e o que pode nos livrar do inferno. O puro e o impuro, religiosamente entendidos, estão presentes na mais antiga linguagem e rituais da humanidade.

Começamos a lavar as mãos há uns cem anos. Antes de aprender a se pentear o homem aprendeu a se despiolhar. A linguagem culta foi (é) um dolorido aprendizado. Até hoje não sabemos nos comunicar: a parafernália eletrônica, informatizada e à disposição de qualquer criança, mais nos ameaça do que nos liberta para a aproximação com o outro – o extravasamento do ódio nas redes sociais é o produto mais efetivo da cibernética.

A vulgarização e degradação do saber – De certa forma a “culpa” é de Gutenberg. Ao criar os tipos móveis e aproveitar-se da prensa para fabricar livros, tirou a exclusividade do saber do controle dos eruditos e disseminou o conhecimento em um processo que teve mais degradação das origens do que divulgação do conteúdo. Facilitando o acesso aos livros e a imprensa tornando-se uma indústria, vulgarizou-se o saber, ao simplificar o conhecimento para que as massas pudessem percebê-lo. O problema é que o vulgo passou a desfrutar ou usufruir daquilo que não podia compreender – o passo seguinte foi usar esse conhecimento como arma de dominação. Dos textos bíblicos aos livros de autoajuda, da pólvora ao urânio enriquecido o processo político é o mesmo: só mudam as variantes tecnológicas e a apropriação da ciência pelos sistemas de poder. O fiasco é histórico.

Se quisermos um exemplo clássico, lembremos Aristóteles. Ele descreveu a mosca com oito pernas, quando sabemos que ela tem seis. Os copistas reproduziram o erro de Aristóteles e por séculos os livros mostravam a mosca com oito pernas, até que alguém desconfiou. O engano de Aristóteles é inócuo e não produziu danos. Porém, os erros dos mestres da Idade Média, ao informarem sobre uma terra plana no centro do universo, levou a Inquisição a queimar milhares de seres humanos, inclusive cientistas e filósofos. Com o aval de santos, papas, reis e governantes impondo o erro e sufocando a ciência e os direitos humanos.

Como isso se traduz no dia-a-dia, hoje?

A tragédia do país real – O Brasil é um país de analfabetos funcionais. O analfabeto “puro”, que não sabe ler nem escrever, não causa dano a ele nem aos demais. Geralmente ele pertence a uma cultura específica e sua sabedoria não depende do “saber” das “pessoas esclarecidas”. Mas o analfabeto funcional, que segue a tradição iniciada por Gutenberg, “sabe” o que julga saber, com certeza, porque desconhece a lógica socrática do “só sei que nada sei”. Ele é o ignorante ilustrado, com o verniz da informação daquilo que não entende, por isso cria convicções e impõe as verdades absolutas – cultivadas como representação do seu “saber”, mas que na prática justificam sua condição de classe. Por isso, tais convicções e verdades absolutas são adornos à imagem que ele pretende projetar. Portanto, podem ser transgredidas de acordo com a sua conveniência momentânea.

Foi dessa forma que uma classe média que se julga democrática, culta, bem informada, cristã e humanista, para derrotar o PT elegeu presidente um homem truculento, que defende torturadores e a ditadura. Agiu sem pudor e festejou o resultado, pois cria convicções que mascaram o conteúdo da sua condição social e política, oriunda da brutalidade do sistema social excludente, racista e hostil à ciência da qual a pequeno burguesia tira, justamente, essa camada de verniz necessário para encobrir a tragédia brasileira. O “fracasso” (e na pandemia vimos que esse “fracasso” é na realidade uma tragédia) da ciência mostra-se na produção de saber que a classe média não entende na sua essência, pois é prisioneira de condicionamentos culturais preconceituosos que a leva a “captar” superficialmente o fato científico para camuflar sua ignorância e justificar a sua barbárie. Por outro lado, a grande burguesia e o capital monopolista aproveitam da ciência a tecnologia e a técnica, reprimindo o seu saber quando se vê ameaçada em suas prerrogativas.

Não seria preciso tantas palavras se de princípio escrevesse: estamos nas mãos de uma gente que diz uma coisa e faz outra. Atenção: não estamos nas mãos de Bolsonaro, mas da classe média – como ela votará em 2022, agora que o dilema Lula voltou?

Brasil, do acanalhamento ao apodrecimento

Panorama Geral – A economia desabou. Morrem quase duas mil pessoas por dia. O presidente, com a cara lavada e os olhos brilhando, diz que por ele nunca teremos lockdown – e convida os cupinchas para comer uma leitoa. O centrão comanda o espetáculo e além da imunidade quer impunidade. Os filhos presidenciais deitam e rolam: o caçula levou a mamãe para fazer lobby em Brasília; o maior comprou uma mansão de R$ 6 milhões. O general da Saúde desapareceu, em plena mortandade e colapso dos hospitais.

E o povo?

Foi liberado por Doria para ir às igrejas. Escondidinho, aglomera e faz festa. A morte é uma ideia distante e só morre quem já morreu. Antes ele do que eu. Claro, há exceções que, impotentes, tremem de angústia pelo que vem por aí. Mas, que fazer?

História assassina – Comecemos pelo começo: os descobridores/invasores mataram os índios, trouxeram negros escravizados e dilapidaram o país. Levaram o ouro e a grana para a Europa e enriqueceram a aristocracia e os pilantras que nos saqueavam. Para livrarem-se do inferno financiaram catedrais e fizeram alianças com os papas e as grandes potências da época. O ouro saiu das minas gerais, viajou para Portugal, mudou-se para a Inglaterra e financiou o modelo econômico de rapina que até hoje nos esmaga. Atualmente, porém, a rapina não é feita pelos colonialistas que se tornaram imperialistas, mas pelas elites nativas – do capitão do mato ao coronel de barranco chegamos ao coronelismo das avenidas Paulista e Faria Lima – com suas filiais em usinas, fábricas, bancos, agronegócio e mercadores da saúde pública e destruidores da educação. Tudo dentro da lei: não se vê a face assassina dos financistas que financiaram e agora suportam com um muxoxo o matador geral da República: Bolsonaro.

O mito da juventude – Diziam que o Brasil é um país jovem. Por isso as lambanças e a roubalheira. Porém, nenhum país da América do Sul é mais velho do que nós. O Brasil é o mais antigo nesses tristes trópicos. A Argentina, por exemplo, só existe como nação unificada, e Estado ainda em formação, depois do massacre contra o Paraguai, em 1870. O Uruguai, até o final do século XIX lutava pela sobrevivência. Todos os hispânicos tinham vice-reis que governavam obedecendo ao rei espanhol, sem autonomia, às vezes, nem para furar um poço de água. Enquanto isso os portugueses estabeleceram desde o início gerentes locais que organizaram o saque e fincaram as regras do “bem viver”. Fernando de Noronha, nosso primeiro testa-de-ferro do capital internacional, fez o que quis na “sua” ilha. Donatários, bandeirantes, mineiros, bacharéis e toda a caterva de sacanas tiveram as mãos livres para encher os bolsos, desde que pagassem tributo ao reino. Por fim, a partir de 1808 consolidou-se a “independência” administrativa, que uma vez por ano, prestava contas ao rei. Portanto, somos mais velhos, mais antigos e mais acanalhados do que nossos hermanos.

Caminho do apodrecimento – Qual é o sentido dessa lamúria e de continuar escrevendo se o povo, ou a chamada opinião pública e, talvez, a sociedade civil, convivem covardemente com um genocida que tripudia sobre a calamidade mortal que assola a nação?

O primeiro sintoma do acanalhamento do Brasil foi eleger Bolsonaro. Ninguém pode ser desculpado: todos sabiam quem era o capitão que defendia a tortura. O país acanalhado não reage e deixa a oposição a um punhado de cidadãos que enfrentam solitariamente a tragédia bolsonarista. Agora o Brasil começa a apodrecer, ao assistir sem um uivo de dor a morte provocada pela patifaria de uma gangue que assumiu o poder.

Não se mede o caráter de um povo pela resistência e luta das minorias, enquanto a maioria estupidificada dorme em berço esplendido fedendo a defunto. Podemos por a culpa no analfabetismo político, em séculos de opressão escravista e na ideologia da miséria, do branqueamento e das “liberdades” que o brasileiro nunca teve e defende feito besta. Mas o fato concreto está aí: o povo convive com a hecatombe política. Como não apodrecer dentro dessa podridão?