Cenários para a materialização do golpe dado por Bolsonaro e milicos

Discutir se vai ou não haver golpe é perda de tempo. E o tempo não urge, ruge, como se pode constatar pelos urros de Bolsonaro. A questão é: materializado o golpe, quem defenderá a legalidade?

            Cenário 1 – Bolsonaro perde as eleições (se chegarmos até lá). Meia hora depois, ou antes, suas milícias estarão nas ruas. Os órgãos da justiça, tribunais etc., condenam a baderna. Quem será encarregado de “manter a ordem”? As forças armadas, incluindo as polícias militares e civis, justamente as interessadas no golpe. Os milicos reagem com dissimulação e, por fim, encontram o argumento para aderir ao que sempre estiveram grudados: o “movimento cívico” bolsonarista – reproduzindo o papel histórico dos militares: ser a guarda noturna das classes dominantes.

        Qual o argumento/pretexto verde-oliva? O tradicional que historicamente repetem quando exercem a tutela da caserna sobre a nação: evitar uma “guerra civil”. Pois os “cidadãos de bem”, armados e ameaçadores, vociferam nas ruas e nas redes sociais. Os militares dirão que seria um banho de sangue se tentassem conter os “revoltosos” (não custa usar a linguagem deles). Assim, ocorrerá uma “conciliação”, que nada mais será do que a reciclagem da violência política instalada por Bolsonaro e apoiada pelas forças armadas – não digam que entre os fardados há exceções, pois nenhum deles se manifesta contra a bandidagem bolsonarista.

            Cenário 2 – Não haverá eleições, pois os donos do poder, reunidos, decidem que não existem condições para um pleito eleitoral. Alegam que para defender a democracia e garantir a paz social deve-se prorrogar o mandato do cretino atual ou indicam algum pau-mandado para embromar o povo até que encontrem uma solução “legal” à direita e institucionalizem a ditadura disfarçada. Qualquer Castelo Branco servirá…

            Cenário 3 – Em qualquer hipótese a “sociedade civil” reagirá como manda o figurino: manifestos, declarações, apelos ao bom senso etc. A grande imprensa “compreenderá” as “dificuldades momentâneas” do “impasse” e para não aderir imediatamente e se desmoralizar de vez, oferecerá um “apoio crítico” aos governantes do momento, esperando que a situação se “normalize”. E la nave va, já que em qualquer situação o poder econômico e financeiro não será afetado. Muito pelo contrário, um regime ditatorial permitirá com maior facilidade espoliar o potencial do país. A Amazônia está aí para ser destruída na busca de minérios e pastos para a pecuária. Existe melhor negociata privatista no mundo do que a Petrobras? (Talvez só uma grande guerra). E o povo, aquele que ninguém vê? Continuará como está acostumado: passando necessidades, vendo os filhos se perderem nas drogas e no desemprego, mas consolado com as igrejas e o futebol. O melhor de tudo no horizonte da mentira capciosa: a possibilidade de um novo “milagre econômico” para anestesiar as mentes e os corações.

            O que fazer?